Arquivos | outubro, 2010

Aqui é caveira!

9 out

É, mais uma vez foi um filme em português que fez eu me contorcer na cadeira torcendo pelo personagem e pensar que, no futuro, “eu quero ser assim, fazer coisas assim”!

Wagner Moura tinha razão, o Tropa de Elite 2 é melhor. Não digo isso apenas pela história, mas pela montagem do filme, fotografia e preparação do elenco.

A sessão já começou me surpreendendo. A montagem das primeiras cenas me agradou muito.

E ainda bem que não parou por aí.

A crítica é explícita, e o diretor José Padilha soube fazê-la da melhor maneira: mesclou sutileza, verdade e, o mais importante, clareza.

Entender o enredo não é difícil, ainda mais com um dos meus atores preferidos (senão o) no papel principal.

O diretor soube como expor a vontade de muitos brasileiros, por exemplo, o personagem de Irandhir Santos, o deputado estadual Diogo Fraga, com certeza é o deputado que eu gostaria de ter tido a oportunidade de votar nas eleições desse ano.

Outra coisa que me chamou a atenção é que, geralmente, nem todas as atuações me agradam, mas dessa vez não senti falta de boas atuações, da pequena participação até o papel principal.

O modo como a história é conduzida também é um dos pontos que me faz pensar em como ainda tem gente que não gosta do cinema nacional, como ainda tem gente que prefere sentar na poltrona do cinema e rir de piadas sem graça que usam dos defeitos dos outros para poderem se intitular comédia, ou então, como ainda tem brasileiro que, mesmo sem o mínimo conhecimento das produções nacionais, tem coragem de dizer que o cinema hollywoodiano é o melhor.

Na minha opinião, José Padilha, assim como outros diretores brasileiros como Guel Arraes, só confirmou e fez crescer a minha admiração pelas produções nacionais.

Enfim, Padilha transformou em imagens o pensamento dos brasileiros. Bom, o meu com certeza.

A democracia também tem suas dúvidas.

2 out

Estamos na véspera das eleições e confesso que ainda não tenho candidato à presidência definido.

Há um tempo queria escrever sobre isso, mas para variar estava sem tempo. Preparando a minha cola para amanhã, resolvi sentar e pensar direito sobre tudo isso.

Em nenhuma das eleições que pude participar fiquei tão indecisa sobre quem eu gostaria que ocupasse a cadeira de presidente. Fato é: eu sei muito bem quem eu não gostaria de ver.

Sei que algumas pessoas estão com a mesma dúvida que a minha, votar na Marina Silva (que é minha candidata favorita), ou votar no José Serra, como tentativa de diminuir as chances de ter a Dilma no poder.

Não vou ficar aqui escrevendo sobre os contras da candidata do PT, muita gente com mais influência e conhecimento já fez isso por aí, mas não é por isso que eu vou ficar esperando o sábado passar sem manifestar a minha opinião.

Acho que o Brasil precisa de uma mudança, sei que parece clichê, mas é verdade! (O que também é um clichê, mas enfim…)

O governo é sempre o mesmo, sempre as mesmas propostas e nada muda. Tá na hora de acreditar em uma renovação, em um novo modo de democracia e consciência política. É muito fácil sorrir e se aproveitar de alguns pontos fracos pra fazer campanha eleitoral. O que eu acho inviável é seguir com isso durante quatro anos onde mais uma vez a democracia será sabotada. Me sinto nos tempos de coronelismo, mas tenho pra mim que hoje ele ganha uma nova denominação: petismo.

Não condeno a posição de ninguém e não gosto de pensar que a maioria dos eleitores me parece ignorante. Ignorante no sentido literal da palavra. Não adianta focar na grande maioria desfavorecida para garantir votos e depois tornar as diferenças ainda maiores durante o mandato.

Mas a democracia é assim, justa até certo ponto. O ideal democrático seria fazer valer a opinião de todos, mas infelizmente isso não acontece. O Brasil é um país gigante que precisa confiar em novas propostas para ser melhor aproveitado. De que adianta ser um país emergente economicamente aos olhos internacionais, se quem vive a realidade somos nós que não estamos vendo nenhuma mudança?

Eu penso no futuro como uma ditadura disfarçada. Dois mandatos de Lula, agora provavelmente um de Dilma, e depois as nossas opções continuarão a ser cada vez mais afuniladas, até chegar à um extremo vermelho.

Provavelmente eu não me expressei como queria, mas não quero que esse post tenha um tom autoritário, é mais um desabafo mesmo. Uma linha de pensamento que me fez concluir o que no fundo eu já sabia, vou fazer valer a minha opinião, independente se ela pode ou não levar ao segundo turno. O que importa é que, de certa forma, eu posso expressão a minha vontade apertando o 4 seguido do 3.

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