(Tudo o que é sólido desmancha no ar e Memórias Póstumas de Brás Cubas)
O bom de poder conciliar os gostos literários com os trabalhos da faculdade:
Para Berman, a natureza da modernidade é ‘irônica e contraditória, polifônica e dialética, essa voz denuncia a vida moderna em nome dos valores que a própria modernidade criou, na esperança de que as modernidades do amanhã e do dia depois de amanhã possam curar os ferimentos que afligem o homem e a mulher modernos de hoje‘, assim como o modo de Brás Cubas levar a vida e a filosofia humanística de Quincas Borba na obra machadiana.
Analisando a obra de Machado de Assis vemos um afastamento do homem civilizado à partir de um ‘olhar sobre si mesmo’, proposto por Berman e esse por sua vez, influenciado por Foucault e pulverizado no discurso póstumo sem censura do personagem fictício que, caracterizando bem o homem do século XX, simplesmente aceita o destino e não crê no ser humano.
Outro ponto tangencial das obras é o turbilhão de permanente desintegração e mudança, que além de outros fatores, depende das experimentações do homem moderno, que é incapaz de delimitar o que é viver para si próprio.
Em seu texto, Berman cita também o pensamento nitzcheano que aborda a humanidade moderna em meio a um vazio de valores e com inúmeras possibilidades de escolha, retratando a angústia de Brás Cubas no que diz respeito a faculdade, ao trabalho e ao emplasto, que tinha como real motivação o fato de poder trazer uma imortalidade e reconhecimento ao personagem, mesmo depois de morto. Rousseau também aborda a ausência de sentido da vida em sua novela “A nova Heloísa”, descrevendo a sociedade moderna sob os olhares do já comentado turbilhão de informações e mudanças.
Partindo da contrariedade de que, de fato, tudo o que é sólido desmancha no ar, fecho o meu raciocínio por vezes ilógico, com algumas colocações de Marx comentadas por Berman e ilustradas no final do livro de Machado de Assis, evidenciando uma parcela sólida que está prestes a desaparecer, sendo seguida pela negação de tudo que já era pré estabelecido; revelando, no caso fictício, o ceticismo do ‘defunto-autor’ com relação ao mundo, que dentre muitas negações afirma que até não ter filhos apresenta um lado positivo, que seria o de não transmitir o legado da nossa miséria humana.
Confuso?! Espero que não.